domingo, janeiro 22

Livros X Filmes - Harry Potter [J.K. Rowling]

A leitura me encantou ainda cedo. Com 7 anos eu já devorava gibis da Turma da Mônica com uma certa dinâmica, e aos poucos passei a ter capacidade de ler 700 páginas em 7 dias. O número 7 é bem comum na minha vida, contando com o fato de que são 7 livros do Harry Potter na minha estante, 7 irmãos Weasley, 7 Horcruxes e etc. Mas o lindo diretor dos filmes potterianos resolveu fazer 8 longa-metragens. Não me importarei com isso, afinal, tinha realmente muita história pra contar. Vamos então ao objetivo do post - a adaptação. Nunca achei Daniel Radcliffe um bom ator, e isso parece tornar os fatores a seguir piores ainda. A pedra filosofal, A câmara secreta, O prizioneiro de Azkaban, confere. O cálice de fogo... Daria nota 7. Primeiramente por causa do vestido rosa da hermione, que não era rosa coisa nenhuma. Ela não é uma Barbie. Pra mim está mais perto de uma Cinderela, a menina determinada que não chamava muita atenção, mas acaba atraindo o "príncipe encantado", desejado por todas... Nesse caso, Vitor Krum. Em segundo lugar pelo completo esquecimento de Dobby. Não houve F.A.L.E. Não houve a "dívida" paga ao Harry. Originalmente, quem tinha salvado a vida dele o ajudando na competição no lago, lhe dando o guelricho, foi o elfo. Mas decidiram transformar ele em Neville. Porque diabos é a dúvida. Mas vamos em frente: A Ordem da Fênix. Antes de ler os livros, não sei se fui a única, mas não entendi completamente NADA dessa parte da história. Bolas prateadas se espatifando no chão fazem algum sentido pra você? Onde estava algum indício que aquilo eram profecias? O resultado, na minha opinião, é que ficou confuso. Poderiam ter sido mais cuidadoso com os detalhes. Porém, a real gota d'água foi O enigma do príncipe. A casa dos Weasley NÃO pegou fogo. Foi uma mudança ligeiramente sem sentido, sem propósito, indiferente. Não deixou o filme melhor. E se alguém que não leu o livro estiver interessado em saber, pela descrição de J.K Rowling Harry e Gina se beijaram após uma partida de quadribol, em frente a mais de 50 pessoas, na sala comunal. Não do nada, não sozinhos, não no meio de estantes e livros mofados. Mudança desastrosa. Mudança que tornou o momento mais esperado de alguns sem graça. E sobre a batalha... Eu não tenho muito a dizer. Desperdiçaram mais tempo do filme com aquele incêndio ridículo do que com a luta que realmente importava. "Oi Dumbledore, é o Draco, eu vim pra te matar, mas sou muito covarde. Snape fará isso por mim. Pa, pum, Avada Kedavra, fuuuuuuuuuuui." Não foi exatamente o que eu esperava. Cadê o "resto"? Cadê Lupin? Cadê Tonks? Melhor, onde está o casal Lupin+Tonks? A fiel e corajosa garota do cabelo colorido que engravidou o lobisomem? Pelas minhas contas acho que ela apareceu em 4 cenas. Não no Enigma do príncipe! No total de TODOS os filmes ela apareceu em 4 cenas. Decepção. Vou dizer que pra mim eles sempre representaram o casal mais bonito de Harry Potter, que realmente quebraram barreiras para ficarem juntos. Melhor ainda que Rony e Hermione (mas isso é muito pessoal), apesar de serem personagens secundários. Muitas vezes, em livros, séries, filmes e novelas, a chave de tudo são os coadjuvantes. Mesmo assim decidiram excluir eles, assim como foi feito com Dobby no início. Nem a cena em que é anunciado o nascimento do bebê apareceu em As relíquias da Morte. Se você não leu, provavelmente não sabe que Harry foi o padrinho da criança, que por acaso se chamava Teddy. E você sabia que Harry destruiu o escritório de Dumbledore colocando nele a a culpa pela morte de Sirius? Se não leu, provavelmente também não. 






Um dos piores erros para mim foi enfiarem no protagonista o conceito de bom menino que faz tudo para o seus amiguinhos queridos. Ele é um herói? Talvez. Mas continua sendo HUMANO. Não um boneco inflável. Ele não faz tudo o que os outros querem só por que será para o bem. Ele também pensa no próprio bem, como qualquer um. Existe um egoísmo ali. Existe um resquício de indignação pela história de seus pais, pelo teatrinho de quem quer protege-lo.
Não aquele ser viajante que retorna à Hogwarts. "Qual é o plano?" perguntam-lhe, e a resposta morre em sua garganta, como se ele não fizesse a mínima ideia do plano. Ele sabia, mas não queria contar, como está no livro. A parte 1 me pareceu até boa, razoável. Mas a parte 2... Vazia. Não transmitiu a mim emoção, talvez por relevâncias ignoradas na adaptação, como o beijo de Rony e Hermione no livro ter sido após ele relembrar aos outros dois (sim, Harry estava presente) de que deveriam voltar para ajudar os elfos - que trabalhavam no momento na cozinha da escola, outro fato passado em branco. Hermione sempre esteve em defesa deles. A preocupação do ruivinho despertou uma lembrança em sua cabeça: ele se importava. Ele concordava com ela. Ele era sensível. Ele era a sua "outra metade", e então ela não pode controlar sua vontade de se entregar a ele. Pra mim essa cena seria muito mais profunda e significativa do que eles se encharcarem, trocarem olhares e decidirem se agarrar. Se fosse só química não precisava de tanto suspense. E em breve, no momento em que Harry está prestes a enfrentar Voldemort, ele explica tudo para o vilão. Explica todos os motivos que levaram a Varinha das Varinhas ser dele, e só após isso derrotou-o. Aliás, a escola inteira olhava pra eles no momento, o que tenho certeza que evidencia muito mais a grandeza de Harry - e também da aquele gostinho de ver o Voldi se cagar de medo. E na última cena, antes de jogar a varinha toda-poderosa fora, ele conserta a varinha recém-destruída que o acompanha desde os onze anos, azevinho e pena de Fênix, vinte e oito centímetros, boa e maleável. Porque, DÃ, ele não podia terminar a história com aquela do Draco! Mas o diretor esqueceu disso (de novo...). Por fim, 19 anos depois, quando o trêm da plataforma 9 e meia (não 9 3/4, faça-me o favor) leva os filhos dos heróis para sua nova casa, a cena final é dos pais acenando. Gostaria mais se, como diz no livro,  Gina olhasse para ele e dissesse: "Ele ficará bem.", ele tocasse a cicatriz, que é O CENTRO DE TODA A HISTÓRIA, e respondesse: "Sei que sim.". Um toque sutil, às vezes, é tudo o que The End precisa. E, encerrando meu discurso-para-ninguém, o que estou querendo não é comunicar aos produtores do filme que isso foi uma merda. Merdas cagadas não voltam ao cu. O que eu pretendo é expor minha opinião para que um dia, quando vocês internautas virarem novos produtores e diretores cinematográficos, agradem mais os fãs, porque são eles que irão valorizar o seu trabalho, e é claro, eles realmente merecem.

10 comentários:

  1. Simplesmente julgar deplorável é muito fácil. Mas por quê? Você leu o livro e descorda de mim? Se não leu não tem o direito de dizer muita coisa.

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  2. Gabi, apesar de ter lido apenas parte da obra original e de ter assistido somente ao primeiro filme, achei interessante ler suas considerações sobre momentos marcantes dos livros de Harry Potter que foram deixados de fora ou mal transferidos para a "telona". Bom texto!

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  3. Li alguns livros da coleção quando era criança e assisti alguns filmes. Há alguns dias reli a coleção, e agora, na última semana fiz uma maratona filmes HP (aproveitando as férias e a chuva).
    Acho que não podemos criticar os filmes, eles foram adaptados e não podem ter a complexidade da obra(assim como tantos outros filmes).
    Acho que isso de criticar os filmes é bem o papel de quem leu os livros, e por mais que se ame filmes também (eu sou cinéfila e bibliófila assumida), o livro vai ser sempre mais completo (:
    Meu namorado e meu pai, não leram nenhum livro da coleção e AMAM os filmes, para eles não há nenhum "furo".
    Não sei se ficou clara a minha opinião, provavelmente não, anyway... Não sou boa com as palavras :S

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  4. Pelo que eu entendi, você concorda comigo no fato de que os livros são melhores, mas não no de que os filmes são ruins. O "deplorável" então surgiu de uma opinião pela metade?

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  5. Legal seu post, livros realmente são muito bons.
    PS: o numero 7 é bastante presente na minha vida tb.

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  6. Sempre que leio o livro, o filme me parece "raso". Mas isso é questão subjetiva. Há pessoas que gostam de histórias profundas, outras de histórias rasas. Para umas o filme é melhor, para outras o livro. E isso muda muito de acordo com a bagagem que cada um traz. O mais importante, na minha opinião, é ver pessoas inteligentes trazendo essas questões, tão profundas, à tona (sem trocadilho). Mas... e sobre a indústria de massa, o lucro, a bilheteria, ninguém vai falar? Ou vocês acham que na hora de "adaptar" os roteiros os produtores não precisam pensar no que vai dar mais $$$ ? Hum?

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  7. EU TAMBEM LI UM LIVRO E INTERPRETEI UM FILME E NÃO TINHA NADA AVER FIZ ISSO COM O LADRÃO DE RAIOS

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